De alguns tempos para cá, a corrida no Brasil, principalmente em Porto Alegre tem crescido de maneira acentuada em aspectos estruturais, no número de praticantes se tornando, assim muito atrativa. Hoje em dia, há corridas de variados tipos, onde as empresas fazem um investimento muito forte, expondo através da atividade física sua propaganda. Fazendo assim, com que se ofereça um serviço de qualidade que atrai cada vez mais praticantes e os conscientiza sobre os efeitos benéficos do esporte para a saúde.

Sabendo-se do grande crescimento do esporte nos dias de hoje, se faz necessário um aumento nos conteúdos cientificamente estudados e comprovados, que acompanhem a evolução da corrida e dêem embasamento para o melhor planejamento de treinos para atletas. Tendo isso como base, ressaltamos a importância de conhecer a grande gama de valências físicas e um contexto sobre a corrida. Para que assim, através de treinos mais qualificados, possamos evitar a incidência de lesões nos corredores de rua. Assunto que abordaremos abaixo.

Lesões mais freqüentes na corrida

As lesões mais freqüentes em corredores são: fasceíte plantar, fraturas por estresse, lesões musculares, joanetes (deformidades na zona medial do dedo grande), condromalácia patelar e canelite. Os números destas lesões são assustadores, um estudo de Hino et al(2009), descreveu que em uma pesquisa feita na cidade de Curitiba, 28,5% dos corredores de rua relataram lesões nos últimos seis meses que antecederam a investigação. Por outro lado observa-se através de estudos o decréscimo de lesões com o aumento da idade. Um estudo realizado por Hootman et al(2001), apresentou diminuição na prevalência de lesões a partir dos 60 anos de idade, sendo que os sujeitos entre 40-60 anos são mais acometidos quando comparados com aqueles com idade inferior a 40 anos. Essas evidências sugerem que o decréscimo da ocorrência de lesões observado com o aumento da idade deve-se à redução na freqüência e intensidade da atividade física com o decorrer do envelhecimento. Whiting e Zernicke(1999), ainda alertam para a possibilidade de interferência de fatores auxiliares que podem ter relação com o uso excessivo, destacando-se a fadiga física e mental, que compromete habilidades como força e coordenação, e lesões prévias, que podem prejudicar o controle proprioceptivo, interferindo nos mecanismos de defesa contra agressões externas.

Abaixo, discorremos sobre algumas destas lesões.

canelite: dor/inflamação da inserção do tendão do músculo tibial anterior a tíbia. A dor surge de forma progressiva e piora durante a corrida, mas em alguns casos pode melhorar quando o corpo estiver bem aquecido, podendo retornar só ao final do exercício. Pode ocorrer em atletas de todos os tipos, porém é mais comum em corredores iniciantes por diversos fatores, entre eles: correr jogando corpo à frente; pisar no solo com o primeiro terço do pé; tênis de corrida pouco flexível; tênis apertado ao longo dos dedos; aumento do volume de treinamento; correr sobre superfícies duras; panturrilha rígida, estressando a musculatura da tíbia

distensões musculares: As distensões musculares podem ocorrer por vários motivos: através de um movimento executado de forma errada, modificar a direção do movimento, frear, ou aumentar a velocidade do movimento, e etc.. A principal causa é a contração muscular atuando de forma errada, que assume o papel de agente traumático por provocar movimentação excessiva e/ou deficiência no relaxamento. A distonia repentina causada pela distensão representa uma interferência no automatismo do ato motor, no caso a passada. Para evitar isso, o músculo tem de estar com uma perfeita coordenação e ritmo, para poder exercer suas funções de forma eficiente, mas isso é conseqüência de um longo período de aprendizagem, ou seja, adaptação neuromuscular. Que torna o movimento automático independendo da consciência.

joelhos: Os problemas de joelho tem grande relação com esforço e tensões na articulação. Isso deve-se ao fato de que esta articulação é a mais afetada durante a corrida, por ter inserção de dois grandes grupos musculares que são responsáveis pelo movimento da marcha.Para se ter uma idéia o corpo gera um impacto equivalente a 3 vezes o peso corporal. Existem dois grandes grupos de lesões no joelho: as agudas, como entorses, microtraumas (lesões que atingem ligamentos, cartilagens, meniscos). Ou as crônicas, também chamadas macrotraumas, que em geral são decorrentes de sobrecarga. Nesse grupo ressaltamos tendinite, tendinoses, lesão cartilaginosa degenerativa, entre outras.

Fasceíte Plantar: Este problema é tratado por vários outros nomes, como Dor do Esporão, Calcanhar de corredor, etc. Refere-se uma inflamação ocasionada por microtraumatismos na origem da tuberosidade medial do calcâneo, o osso do calcanhar. A lesão é mais comum em fundistas, mas pode ocorrer em corredores ocasionais e saltadores. Várias são as causas deste problema, as principais: Sobrepeso; falha biomecânica, sobrecarga dos treinamentos, calçados inadequados, ficar muitas horas em pé, etc.

Síndrome do piriforme: o piriforme é um músculo em forma de pêra (daí que vem seu nome), que sai do sacro, passa por cima do nervo ciático e vai até o fêmur. Às vezes o piriforme pode comprimir o nervo ciático, e causar dor em toda região posterior da coxa, irradiando até a sola do pé. Esse tipo de compressão é mais comum em corredores e pessoas que trabalham muito tempo sentadas.

Correr é uma maneira eficaz de exercitar grandes grupos musculares, e tem conseqüências benéficas sobre a saúde, como a prevenção de doenças cardiovasculares, fato já comprovado. No entanto, é uma atividade que pode provocar lesões, em virtude do impacto e das tensões repetitivas exercidas sobre as extremidades inferiores utilizadas na corrida, como já vimos acima.

Portanto, é importante ter a orientação de um professor de Educação Física, para melhor planejamento dos treinos, dessa maneira, você poderá correr mais, alcançar seus objetivos e ficar longe das lesões. Entretanto, sabemos que lesões muitas vezes são fatalidades e nem sempre podem ser evitadas, se acontecer com você busque orientação com seu professor e se necessário auxilio medico.

 

Autoria de Rodrigo Espíndola