Alimentação x Treinamento

Dentre todos os assuntos relacionados à corrida, um dos que mais interessa aos corredores, e talvez o que gera mais dúvidas, é a relação que existe entre alimentação e exercício físico. Essa curiosidade não se limita apenas ao que comer, mas também a quando e porquê comer determinados alimentos.

Antes de tentarmos esclarecer estas questões, é importante entender alguns aspectos básicos sobre o que acontece no nosso organismo tando durante a digestão, quanto durante a corrida. E, também, como esses processos interagem e interferem no rendimento do atleta.

Ao praticarmos um exercício,por exemplo a corrida, a musculatura necessita de sangue em suas estruturas para que o atleta consiga manter um bom rendimento durante a sua prática. De maneira semelhante, no processo da digestão, os órgãos envolvidos requerem a presença de sangue para desempenhar suas funções. Assim, ao nos alimentarmos em horários, quantidades ou de maneira inadequados, corremos o risco de causar um conflito entre o processo de digestão e o exercício.

Essa “disputa” entre os sistemas (digestório e muscular) prejudica diretamente o desempenho atlético, e as consequências podem ser desde indigestão e náuseas, até vômitos. E, obviamente, isso irá interferir na sua corrida.

Para ajudar a prevenir esses problemas, os nutricionistas aconselham determinados alimentos antes da prática esportiva. “O segredo é controlar bem o horário no qual será ingerido o alimento.” Recomenda a nutricionista Raquel Lupion, formada pela PUCRS, formanda em Educação Física pela UFRGS e pós-graduanda em Nutrição Esportiva pela UGF/RJ.

  • Cerca de três horas antes: o recomendado é uma boa refeição, como um prato de massa com atum ou frango, pois o organismo terá tempo suficiente de absorver, metabolizar e armazenar o carboidrato antes do exercício, deixando os músculos preparados para a demanda energética.

 

  • Uma hora antes: recomendo carboidratos que não aumentem muito a glicemia, por exemplo barra de cereais, pães, biscoitos sem recheio, frutas ou sucos de frutas. O principal cuidado nessa etapa é não aumentar muito a glicemia para evitar a hipoglicemia de rebote. Isso ocorre porque quando ingerimos alimentos que ocasionam um aumento brusco da glicemia (por exemplo chocolate, açúcares) ocorre a liberação de insulina (hormônio responsável por retirar a glicose do sangue e colocá-la dentro das células) e se isso coincidir com o exercício, que também causa uma dimiuição da quantidade de glicose no sangue, corremos o risco de que a quantidade dessa substância na corrente sanguínea não seja compatível com a manutenção do exercício. E atentar, também, para as quantidades: cerca de 150 Kcal no lanche pré-exercício.

Entretanto, cada organismo é diferente, e a ingestão de fibras (frutas, cereais) uma hora antes do início do exercício pode causar desconforto gástrico. O recomendado é testar e ver o que melhor se adapta a você!

O perigo de começar o exercício sem se alimentar está na necessidadedos músculos pela glicose, ocasionando um “roubo” da glicose necessária para manter os outros órgãos funcionando, por exemplo o cérebro, fígado e coração. Como o organismo não deixará de nutrir os órgão vitais, a energia para o músculo virá da degradação das próprias proteínas musculares, o que é extremamente indesejável ao atleta.

Caso você esteja sentindo dificuldades de ordem digestiva ou falta de energia na sua prática, atente para sua alimentação e poderá encontrar a solução do seu problema. Lembre-se de sempre que tiver dúvidas consultar seu professor e seu nutricionista.

Bom apetite e bons treinos

* Revisão técnica Nutricionista Raquel Lupion

By |2018-09-04T02:44:44+00:00junho 29th, 2011|Destaques, Matérias|0 Comments

Leave A Comment